REVISTA LEITURA DAS HISTÓRIAS
Por Morgana Gomes
Praia repleta de lixo plástico após um dia de ressaca
A GRANDE CONCENTRAÇÃO DE LIXO NO PACÍFICO NORTE
Aglomerado de lixo visto de dentro do oceano
Pesquisadores estimam que cerca de 80% desse sopão é resultante de aterros sanitários e de despejos de resíduos, realizados por países banhados pelo mar. Já os 20% restantes provêm de navios comerciais. Todo esse material que flutua à deriva entre a Califórnia (EUA) e o Japão, alcança um ponto próximo ao noroeste da Austrália, região do chamado Giro do Pacífico Norte, onde se dá a convergência de quatro grandes correntes marítimas de movimento lento, que atrai e possibilita o acúmulo de plástico que, aos poucos, devido à ação do sol e dos ventos, se desintegra em pequenos fragmentos que, por sua vez, permanecem flutuando, numa espécie de redemoinho condensado de tamanho indeterminado, mas de grande proporção, que já chegou a ser comparado ao dobro do território norte-americano do Texas.
Pássaro marinho tenta se alimentar de uma garrafa plástica.
Com pouco fitoplâncton disponível, animais marinhos ingerem pedaços de plástico e se intoxicam.
Albatroz em decomposição, com pedaço de plástico em perfeito estado, sobre o que seria seu estômago
Com pouco fitoplâncton disponível, animais marinhos ingerem pedaços de plástico e se intoxicam.
Albatroz em decomposição, com pedaço de plástico em perfeito estado, sobre o que seria seu estômago
INTERFERÊNCIA DO SOPÃO NO ECOSISTEMA
Como a Grande Mancha de Lixo do Pacifico Norte vem se formando desde que o plástico passou a ser utilizado pelo homem, pedaços do material que ainda não se desintegraram, se concentram na coluna de água superior, enquanto pequenos fragmentos e minúsculas partículas ficam, parcialmente, submergidos na base do redemoinho de resíduos. Esse amontoado de lixo atrai peixes, aves e animais marinhos que acabam se alimentando de uma boa concentração de polímeros porque, segundo estudos realizados por diversos pesquisadores, incluindo o próprio Moore, há seis vezes mais plástico nessa parte do oceano do que fitoplâncton, que é a base da cadeia alimentar marinha. Em consequência, pelo menos 267 espécies marinhas que habitam o Giro do Pacífico Norte são afetadas de um modo ou outro pelos detritos plásticos. Esse fato já foi averiguado e comprovado por pesquisadores do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente que, ainda concluíram que o impacto devastador da ação humana sobre os oceanos é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinhas, sem contar tartarugas, tubarões e centenas de espécies de peixes que, ao ingerirem resíduos plásticos, quando não se sufocam com os maiores pedaços, passam a sofrer de perturbações hormonais, orgânicas e até estruturais. Diante desse quadro, considerando que os vestígios deixados pelos homens sempre revelaram a história da Humanidade, fica uma pergunta que visa à reflexão: o que será contado sobre nós daqui a alguns séculos?
Foto: green-living.families.comJá QUE O PROBLEMA PERSISTE...

Pesquisadores retirando resíduos plásticos do Atlântico Norte, ao largo da costa leste norte-americana
Na última conferência Ocean Sciences Meeting, realizada em novembro de 2010, em Portland (EUA), foi apresentada outra “ilha” de lixo que cresce em pleno Atlântico Norte, numa extensa zona localizada entre a costa leste da Flórida e as Bermudas. Sua existência também já era conhecida desde a década de 1980, mas pesquisadores do Sea Education Association, do Woods Hole Oceanographic Institution e da Universidade do Havaí, em Honolulu, aproveitaram a ocasião para anunciar o montante da recolha, feita em redes puxadas e por meio da coleta de resíduos plásticos que flutuam à superfície do mar, junto a organismos marinhos. As amostras que foram colhidas entre 1986 e 2008, por mais de sete mil estudantes universitários, em 6.136 localidades no Mar do Caribe e Atlântico Norte, ao largo da costa leste norte-americana, evidenciam que a grande maioria dos restos de plástico, que não tem mais de um centímetro de dimensão, se origina de embalagens destinadas aos consumidores.
Embora sua densidade seja calculada em mais de 200 mil fragmentos de detritos por quilômetro quadrado, tal como a "ilha" de lixo do Pacifico Norte, o sopão plástico do Atlântico Norte não tem um tamanho determinado, principalmente, porque os resíduos que contém altas concentrações de POPs acompanham as correntes e mudam de fuso em até 1.600 quilômetros em direção norte e, de forma sazonal, em direção sul, durante o fenômeno do El Niño (nome dado a alterações significativas de curta duração - 12 a 18 meses - na distribuição da temperatura da superfície da água do Oceano Atlântico que provoca profundos efeitos no clima), interferindo de maneira ainda desconhecida no ecossistema da região. No entanto, ao contrário da “ilha” de lixo do Pacifico Norte que sempre se destacou na mídia, o sopão plástico do Atlântico Norte, até então, vinha sido ignorado. Entretanto, segundo estudos do NOAA, que foram realizados entre janeiro e fevereiro de 2010, o giro do Atlântico Norte mantém uma concentração de lixo que é capaz de produz poluição marinha em padrão e quantidade similar a que foi encontrada na Grande Mancha de Lixo do Pacifico Norte.
SOBRE ADESIGNAÇÃO ILHA DO LIXO
Considerando que há cinco grandes giros subtropicais nos oceanos Pacífico Norte, Pacífico Sul, Atlântico Norte, Atlântico Sul e Índico, é quase certo que novas zonas de acúmulo de resíduos plástico surgirão nos próximos anos, tanto que já foi constatado que há indícios de uma nova formação no Oceano Indico. Contudo, chamar tais concentrações de lixo plástico de “ilha”, não é a forma mais correta de se referir ao evento. Essa designação foi cunhada apenas para chamar a atenção da grande massa. As manchas de lixo deveriam ser nomeadas de sopão plástico porque, na verdade, os resíduos não se condensam; eles somente se fragmentam e se acumulam, devido à atração exercida pelos giros, porém permanecem espalhados uma espécie de concentração que, por vez, fica presa as correntes em forma de redemoinho. Se, realmente, eles formassem ilhas, mesmo que a um alto custo, seria possível limpar os oceanos. Por enquanto, a melhor forma de minimizar o problema, é o descarte correto do lixo plástico - de preferência longe das margens dos rios, dos mangues e até do mar -, a reciclagem do material em alta escala, a substituição gradativa do mesmo e até o simples recolhimento dos destroços que chegam à praia, para evitar a volta dos resíduos ao mar.






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