quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

GUARDA-SOL ESPACIAL

UM GUARDA-SOL PARA REFRESCAR A TERRA

Medidas urgentes exigidas pelo aquecimento estimulam resoluções próximas da ficção científica. Mas nenhum método é uma solução mágica

por Robert Kunzig

Kevin Hand



NUVENS DE PÁRA-SÓIS no espaço, como nesta concepção artística de uma sombra na Terra, podem abrandar o aquecimento do planeta

Quando David W. Keith, físico especialista em energia da University of Calgary, em Alberta, Canadá, dá palestras sobre geoengenharia, enfatiza sempre que essa idéia não é nova. De fato, não é de hoje que se tem pensado em alterar deliberadamente o clima da Terra para reverter o aquecimento global. Isso vem acontecendo desde que se começou a falar em aquecimento global. Já em 1965, quando Al Gore era calouro na universidade, um painel formado por especialistas ambientais prevenia o presidente Lyndon B. Johnson de que as emissões de dióxido de carbono (CO2) de combustíveis fósseis poderiam provocar “mudanças profundas no clima” e que elas “poderiam ser nocivas”.

Àquela época, os cientistas não só consideraram a hipótese de reduzir as emissões, mas também tinham uma idéia em mente: “espalhar pequenas partículas refletoras” sobre cerca de 12,8 milhões de km2 de oceanos, para defletir cerca de 1% adicional da luz do Sol de volta para o espaço “uma solução maluca da geoengenharia”, comenta Keith, “que na verdade não funciona”.

As idéias de geoengenharia sobreviveram, nas décadas seguintes, mas sempre foram postas à prova – eram consideradas, por cientistas e ambientalistas, como tentativas tolas e até imorais de encaminhamento para o aquecimento global. Três fatos recentes reativaram essas idéias.

O primeiro, apesar de anos de conversações e tratados internacionais, é que as emissões de CO2 estão aumentando mais rápido que o pior cenário imaginado até 2007 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). “A tendência é haver um aumento crescente da dependência do carvão”, avalia Ken Caldeira, especialista em modelagem climática da Carnegie Institution for Science, em Stanford, Califórnia.

Robert Kunzig especializou-se em ciências oceânicas e clima global e escreve sobre ciência como freelance. É autor de Mapping the deep: the extraordinary story of ocean science (Mapeando as profundezas: uma história extraordinária de ciência dos oceanos), que recebeu em 2001 o prêmio Aventis para livros científicos e, mais recentemente, (com Wallace S.Broecker), Fixing climate: what past climate changes reveal about the current threat – and how to counter It (Consertando o clima: o que mudanças climáticas passadas revelam sobre os desafios atuais – e como contê-los. Ele passa parte do tempo em Birmingham, Alabama, e em Dijon, na França.

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