O PI E O PHI
Todos nós já ouvimos falar em número PI. É o irracional mais famoso da história, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro (equivale a 3,141592653589793238462643383279502884197169399375... e é conhecido "vulgarmente" como 3,1416).
Não confundir com o número Phi que corresponde a 1,618.
O número Phi (letra grega que se pronuncia "fi") apesar de não ser tão conhecido, tem um significado muito mais interessante. Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal.
Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, do qual havia-se proporções: do lado maior dividido pelo lado menor e a partir dessa proporção tudo era construído. Assim eles fizeram o Parthenon... a proporção do retângulo que forma a face central e lateral. A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.
Os Egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides: cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3ª fileira e assim por diante.
Bom, durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu.
O retângulo de ouro era padrão, mas depois de muito tempo - veio a construção gótica com formas arredondadas que não utilizavam o retângulo de ouro grego.
Mas, em 1200, Leonardo Fibonacci um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos criou aquela que é provavelmente a mais famosa seqüência matemática, a Série Fibonacci.
A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles aumentavam a partir da reprodução de várias gerações e chegou a uma seqüência onde um número é igual a soma dos dois números anteriores: 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 ...
1+1=2
2+1=3
3+2=5
5+3=8
8+5=13
13+8=21
21+13...e assim por diante.
Aí entra a 1ª "coincidência": a proporção de crescimento média da série é... 1,618. Os números variam, um pouco acima às vezes, em outras um pouco abaixo, mas a média é 1,618 - exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos. Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção a ponto de os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.
- A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colméia é de 1,618;
- A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;
- A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais sementes de um girassol é de 1,618;
- A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore a medida que subimos de altura é de 1,618;
E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias, as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618.
Por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.
Por que os historiadores religiosos descrevem que foi a beleza perfeita que Deus teria escolhido para fazer o mundo?
Bom... por volta de 1500, com o retorno do Renascentismo, a cultura clássica voltou à moda.
Michelangelo e, principalmente Leonardo da Vinci, grandes amantes da cultura pagã, colocaram esta proporção natural em suas obras. Mas Da Vinci foi ainda mais longe: ele, como cientista, pegava cadáveres para medir a proporção do seu corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto a DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano... obra prima de Deus. Por exemplo:
- Meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618.
- Meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo e o resultado é 1,618.
- Meça seus dedos, ele inteiro dividido pela dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta dividido pela segunda dobra. O resultado é 1,618;
- Meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618;
- A altura do seu crânio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça. O resultado 1,618;
- Da sua cintura até a cabeça e depois só o tórax. O resultado é 1,618;
Considere sempre erros de medida da régua ou fita métrica, que não são objetos acurados de medição.
Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção. Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem; coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum.
Então até hoje essa é considerada a mais perfeita das proporções. Meça seu cartão de crédito, largura / altura, seu livro, seu jornal, uma foto revelada.
Encontramos ainda o número Phi em famosas sinfonias como a 9ª de Beethoven e em outras diversas obras.
Então... seria uma mera coincidência?
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Remédio islandês: deixar os bancos quebrarem
AFP
REIKIAVIK, Islândia, 6 Nov 2011 (AFP) -Três anos depois do colapso dos bancos islandeses, a economia da ilha se recupera e se ergue como prova de que os governos, em vez de resgatar estas entidades, deveriam deixá-las quebrar e proteger os contribuintes, apontam analistas.
Em outubro de 2008, os três grandes bancos islandeses foram varridos por sua exposição à crise das hipotecas "subprime", que dias antes fez sua maior vítima com o banco americano de investimentos Lehman Brothers.
O governo de Reikiavik deixou que eles quebrassem e pediu um crédito de 2,25 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Após três anos de duras medidas de austeridade, a economia da ilha, povoada por pouco mais de 300 mil habitantes, mostra sinais de recuperação.
E isso em meio a uma crise econômica que colocou a Grécia à beira da quebra e gerou planos de ajuste muito impopulares em Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, para reduzir um endividamento público inflado em parte pelo resgate do setor bancário.
"A lição que nasce da maneira pela qual a Islândia lidou com sua crise é que, na medida do possível, é importante proteger os contribuintes e as finanças públicas do custo de uma crise financeira", resume à AFP Jon Bjarki Bentsson, analista do banco Islandsbanki.
"Nossa forma de enfrentar a crise não foi uma escolha, mas se deveu à incapacidade do governo de apoiar em 2008 bancos muito grandes em comparação com a economia. No entanto, isto foi relativamente bom para nós", acrescentou.
O setor financeiro islandês valia antes de sua quebra 11 vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha.
O economista americano e prêmio Nobel Paul Krugman concorda com as declarações de Bentsson.
"Enquanto os demais resgataram os banqueiros e fizeram o povo pagar o preço, a Islândia deixou que os bancos quebrassem e expandiu sua rede de proteção social", escreveu recentemente Krugman em um artigo no The New York Times.
"Enquanto os demais ficaram obcecados em tentar aplacar os investidores internacionais, a Islândia impôs controles temporários aos movimentos de capital, para abrir um espaço de manobra", acrescentou.
Durante uma visita a Reikiavik na semana passada, Krugman destacou que a Islândia deve sua recuperação a sua moeda nacional, a coroa, e advertiu contra a ideia de que a adoção do euro protege dos desequilíbrios econômicos.
"A recuperação econômica da Islândia demonstra as vantagens de estar fora do euro", disse Krugman, acrescentando que isto deveria servir de advertência à Espanha.
No entanto, o exemplo islandês não pode ser comparado com a situação de países como Grécia ou Itália.
"A grande diferença entre Grécia, Itália e demais e a Islândia em 2008 é que esta última sofreu uma crise bancária causada pelo colapso de um setor hiperatrofiado, enquanto os anteriores têm uma crise de dívida soberana que se estendeu ao setor bancário europeu", explica Bentsson.
O ex-primeiro-ministro islandês, Geir Haarde, no poder durante a crise financeira de 2008 e atualmente processado por sua condução da crise, insistiu que o governo tomou a decisão correta deixando os bancos quebrarem e os credores assumirem as perdas.
"Salvamos o país da bancarrota", disse Haarde, de 68 anos, à AFP em uma entrevista em julho.
"É evidente se for comparada nossa situação atual com a da Irlanda, para não falar na Grécia", disse, acrescentando que estes dois países da UE "cometeram erros que nós não cometemos". "Nós não garantimos as dívidas externas do sistema bancário", acrescenta.
Assim como Irlanda e Letônia, também resgatados com ajuda internacional e em recuperação atualmente, a Islândia empreendeu duras medidas de austeridade.
A fórmula islandesa parece estar dando certo. Tanto que seu banco central aumentou na quarta-feira sua taxa básica de juros em 0,25%, a 4,75%, seguindo uma tendência oposta à da maioria dos países desenvolvidos, que reduziram suas taxas para favorecer o crescimento e evitar uma nova recessão.
Segundo o banco central islandês, o crescimento econômico na primeira metade de 2011 foi de 2,5% do PIB, e espera-se que no conjunto do ano chegue a mais de 3%.
REIKIAVIK, Islândia, 6 Nov 2011 (AFP) -Três anos depois do colapso dos bancos islandeses, a economia da ilha se recupera e se ergue como prova de que os governos, em vez de resgatar estas entidades, deveriam deixá-las quebrar e proteger os contribuintes, apontam analistas.
Em outubro de 2008, os três grandes bancos islandeses foram varridos por sua exposição à crise das hipotecas "subprime", que dias antes fez sua maior vítima com o banco americano de investimentos Lehman Brothers.
O governo de Reikiavik deixou que eles quebrassem e pediu um crédito de 2,25 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Após três anos de duras medidas de austeridade, a economia da ilha, povoada por pouco mais de 300 mil habitantes, mostra sinais de recuperação.
E isso em meio a uma crise econômica que colocou a Grécia à beira da quebra e gerou planos de ajuste muito impopulares em Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, para reduzir um endividamento público inflado em parte pelo resgate do setor bancário.
"A lição que nasce da maneira pela qual a Islândia lidou com sua crise é que, na medida do possível, é importante proteger os contribuintes e as finanças públicas do custo de uma crise financeira", resume à AFP Jon Bjarki Bentsson, analista do banco Islandsbanki.
"Nossa forma de enfrentar a crise não foi uma escolha, mas se deveu à incapacidade do governo de apoiar em 2008 bancos muito grandes em comparação com a economia. No entanto, isto foi relativamente bom para nós", acrescentou.
O setor financeiro islandês valia antes de sua quebra 11 vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha.
O economista americano e prêmio Nobel Paul Krugman concorda com as declarações de Bentsson.
"Enquanto os demais resgataram os banqueiros e fizeram o povo pagar o preço, a Islândia deixou que os bancos quebrassem e expandiu sua rede de proteção social", escreveu recentemente Krugman em um artigo no The New York Times.
"Enquanto os demais ficaram obcecados em tentar aplacar os investidores internacionais, a Islândia impôs controles temporários aos movimentos de capital, para abrir um espaço de manobra", acrescentou.
Durante uma visita a Reikiavik na semana passada, Krugman destacou que a Islândia deve sua recuperação a sua moeda nacional, a coroa, e advertiu contra a ideia de que a adoção do euro protege dos desequilíbrios econômicos.
"A recuperação econômica da Islândia demonstra as vantagens de estar fora do euro", disse Krugman, acrescentando que isto deveria servir de advertência à Espanha.
No entanto, o exemplo islandês não pode ser comparado com a situação de países como Grécia ou Itália.
"A grande diferença entre Grécia, Itália e demais e a Islândia em 2008 é que esta última sofreu uma crise bancária causada pelo colapso de um setor hiperatrofiado, enquanto os anteriores têm uma crise de dívida soberana que se estendeu ao setor bancário europeu", explica Bentsson.
O ex-primeiro-ministro islandês, Geir Haarde, no poder durante a crise financeira de 2008 e atualmente processado por sua condução da crise, insistiu que o governo tomou a decisão correta deixando os bancos quebrarem e os credores assumirem as perdas.
"Salvamos o país da bancarrota", disse Haarde, de 68 anos, à AFP em uma entrevista em julho.
"É evidente se for comparada nossa situação atual com a da Irlanda, para não falar na Grécia", disse, acrescentando que estes dois países da UE "cometeram erros que nós não cometemos". "Nós não garantimos as dívidas externas do sistema bancário", acrescenta.
Assim como Irlanda e Letônia, também resgatados com ajuda internacional e em recuperação atualmente, a Islândia empreendeu duras medidas de austeridade.
A fórmula islandesa parece estar dando certo. Tanto que seu banco central aumentou na quarta-feira sua taxa básica de juros em 0,25%, a 4,75%, seguindo uma tendência oposta à da maioria dos países desenvolvidos, que reduziram suas taxas para favorecer o crescimento e evitar uma nova recessão.
Segundo o banco central islandês, o crescimento econômico na primeira metade de 2011 foi de 2,5% do PIB, e espera-se que no conjunto do ano chegue a mais de 3%.
Asteróide de 400 metros passa perto da terra
CÁSSIO LEANDRO D. R. BARBOSA(DOUTOR EM ASTRONOMIA, COORDENADOR DO CURSO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA) - O Estado de S.Paulo
No início de novembro de 2011, o asteroide 2005 YU55 passou a uma distância de quase 310 mil quilômetros da Terra. Isso significa que, por algumas horas, esse miniasteroide esteve mais perto de nós que a própria Lua. Com 400 metros de comprimento, o 2005 YU55 poderia ter causado um belo estrago se colidisse com nosso planeta. O mais curioso (para mim) é que, no dia 28 de outubro, o asteroide 2011 UX255 passou ainda mais perto, a 150 mil km, e não houve tanto estardalhaço. Vai ver que por causa do seu tamanho: 15 metros, "apenas".
Todos os dias a Terra é atingida por milhares de pedaços de rochas ou mesmo lixo espacial. Mas na grande maioria das vezes esse material é incinerado pelo atrito com a atmosfera terrestre. Além disso, três quartos da superfície do planeta estão cobertos por oceanos. Grande parte do material que sobrevive ao atrito com a atmosfera acaba caindo no mar. No caso do tão falado 2005 YU55, mesmo caindo na água, o impacto de uma pedra desse tamanho causaria um tsunami de proporções inimagináveis. Em terra firme o estrago poderia ser maior, com terremotos, incêndios e o lançamento de poeira e fuligem que muito provavelmente provocaria uma queda na temperatura global, após os ventos espalharem o material.
Precisamos ter medo? Não! A probabilidade de isso acontecer é ínfima. Mais fácil ganhar na Mega Sena do que ser atingido por um asteroide que venha a acabar com a vida na Terra. Funciona assim: a quantidade de meteoros, asteroides e outras pedras no sistema solar varia com o inverso do seu tamanho. Ou seja, há muita pedrinha no espaço e poucos asteroides grandes. Como a probabilidade de um impacto depende diretamente da quantidade de objetos, é mais fácil uma pedrinha cair no mar do que um impacto devastador dizimar a população terrestre.
Então podemos relaxar e esquecer isso? Nem tanto. Em 1908, acredita-se que um meteoro de uns 100 metros tenha se desintegrado no ar sobre a Sibéria, em Tunguska. Acredita-se, pois não foi coletado nenhum pedaço dele. Sobrou apenas o estrago. Recentemente uma equipe de cientistas mostrou que a resina das árvores daquela época continha traços de minerais encontrados em asteroides. Relatos da época dão conta de que pessoas foram atiradas ao ar por causa da onda de choque gerada pela explosão. Oitenta milhões de árvores foram derrubadas, todas tombadas no mesmo sentido. Além disso, foi registrado um terremoto de 5 graus na escala Richter. Um evento como esse é previsto para ocorrer a cada cem anos. Já estamos atrasados em três...
O que podemos fazer é vigiar. Eternamente. Vários projetos hoje monitoram os céus em busca desses objetos, chamados de "asteroides potencialmente perigosos" (PHA, na sigla em inglês). São asteroides de pequeno e médio porte, portanto difíceis de serem observados, que têm órbitas cruzando perigosamente a nossa. Um desses projetos se chama Impacton e é coordenado pela dra. Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional. Conta com um telescópio robótico de 1 metro de diâmetro posicionado no sertão de Pernambuco e operado remotamente.
Todos os objetos no sistema solar estão sob a influência gravitacional do Sol, mas também dos gigantes gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Por vezes um PHA sofre um "puxão" desses gigantes. É aí que mora o perigo porque, enquanto estão em suas órbitas estáveis, podemos prever sua posição. Quando sofrem uma influência dessas, os parâmetros se alteram. Para voltarmos a prever a trajetória deles é necessário monitoramento contínuo por algumas semanas.
Ainda assim, no dia 6 de outubro de 2008, um meteoro com 2 a 5 metros de diâmetro foi descoberto por Richard Kowalski, astrônomo do projeto de monitoramento Catalina, no Arizona. Batizado de 2008 TC3, o asteroide foi monitorado por profissionais e amadores até que entrou na atmosfera no dia seguinte. Esse asteroide explodiu a 37 km de altitude e seus fragmentos se espalharam pelo norte do Egito e do Sudão. Uma equipe internacional conseguiu resgatar 47 meteoritos, somando quase 4 quilos de massa. Essa foi a primeira vez que um asteroide foi descoberto, acompanhado até sua entrada na atmosfera e resgatado em fragmentos. Mas resto uma pergunta na época: e se o asteroide fosse muito maior?
Não dá para responder com certeza quais teriam sido os estragos, mas certamente um objeto muito maior é também muito mais fácil de ser detectado. Infelizmente, o consolo acaba aí. Implantar bombas nucleares ou mesmo bombardear um asteroide com mísseis, por enquanto, somente no cinema.
No início de novembro de 2011, o asteroide 2005 YU55 passou a uma distância de quase 310 mil quilômetros da Terra. Isso significa que, por algumas horas, esse miniasteroide esteve mais perto de nós que a própria Lua. Com 400 metros de comprimento, o 2005 YU55 poderia ter causado um belo estrago se colidisse com nosso planeta. O mais curioso (para mim) é que, no dia 28 de outubro, o asteroide 2011 UX255 passou ainda mais perto, a 150 mil km, e não houve tanto estardalhaço. Vai ver que por causa do seu tamanho: 15 metros, "apenas".
Todos os dias a Terra é atingida por milhares de pedaços de rochas ou mesmo lixo espacial. Mas na grande maioria das vezes esse material é incinerado pelo atrito com a atmosfera terrestre. Além disso, três quartos da superfície do planeta estão cobertos por oceanos. Grande parte do material que sobrevive ao atrito com a atmosfera acaba caindo no mar. No caso do tão falado 2005 YU55, mesmo caindo na água, o impacto de uma pedra desse tamanho causaria um tsunami de proporções inimagináveis. Em terra firme o estrago poderia ser maior, com terremotos, incêndios e o lançamento de poeira e fuligem que muito provavelmente provocaria uma queda na temperatura global, após os ventos espalharem o material.
Precisamos ter medo? Não! A probabilidade de isso acontecer é ínfima. Mais fácil ganhar na Mega Sena do que ser atingido por um asteroide que venha a acabar com a vida na Terra. Funciona assim: a quantidade de meteoros, asteroides e outras pedras no sistema solar varia com o inverso do seu tamanho. Ou seja, há muita pedrinha no espaço e poucos asteroides grandes. Como a probabilidade de um impacto depende diretamente da quantidade de objetos, é mais fácil uma pedrinha cair no mar do que um impacto devastador dizimar a população terrestre.
Então podemos relaxar e esquecer isso? Nem tanto. Em 1908, acredita-se que um meteoro de uns 100 metros tenha se desintegrado no ar sobre a Sibéria, em Tunguska. Acredita-se, pois não foi coletado nenhum pedaço dele. Sobrou apenas o estrago. Recentemente uma equipe de cientistas mostrou que a resina das árvores daquela época continha traços de minerais encontrados em asteroides. Relatos da época dão conta de que pessoas foram atiradas ao ar por causa da onda de choque gerada pela explosão. Oitenta milhões de árvores foram derrubadas, todas tombadas no mesmo sentido. Além disso, foi registrado um terremoto de 5 graus na escala Richter. Um evento como esse é previsto para ocorrer a cada cem anos. Já estamos atrasados em três...
O que podemos fazer é vigiar. Eternamente. Vários projetos hoje monitoram os céus em busca desses objetos, chamados de "asteroides potencialmente perigosos" (PHA, na sigla em inglês). São asteroides de pequeno e médio porte, portanto difíceis de serem observados, que têm órbitas cruzando perigosamente a nossa. Um desses projetos se chama Impacton e é coordenado pela dra. Daniela Lázzaro, do Observatório Nacional. Conta com um telescópio robótico de 1 metro de diâmetro posicionado no sertão de Pernambuco e operado remotamente.
Todos os objetos no sistema solar estão sob a influência gravitacional do Sol, mas também dos gigantes gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Por vezes um PHA sofre um "puxão" desses gigantes. É aí que mora o perigo porque, enquanto estão em suas órbitas estáveis, podemos prever sua posição. Quando sofrem uma influência dessas, os parâmetros se alteram. Para voltarmos a prever a trajetória deles é necessário monitoramento contínuo por algumas semanas.
Ainda assim, no dia 6 de outubro de 2008, um meteoro com 2 a 5 metros de diâmetro foi descoberto por Richard Kowalski, astrônomo do projeto de monitoramento Catalina, no Arizona. Batizado de 2008 TC3, o asteroide foi monitorado por profissionais e amadores até que entrou na atmosfera no dia seguinte. Esse asteroide explodiu a 37 km de altitude e seus fragmentos se espalharam pelo norte do Egito e do Sudão. Uma equipe internacional conseguiu resgatar 47 meteoritos, somando quase 4 quilos de massa. Essa foi a primeira vez que um asteroide foi descoberto, acompanhado até sua entrada na atmosfera e resgatado em fragmentos. Mas resto uma pergunta na época: e se o asteroide fosse muito maior?
Não dá para responder com certeza quais teriam sido os estragos, mas certamente um objeto muito maior é também muito mais fácil de ser detectado. Infelizmente, o consolo acaba aí. Implantar bombas nucleares ou mesmo bombardear um asteroide com mísseis, por enquanto, somente no cinema.
O mercado da fome beneficia países doadores
Luta contra a fome – uma bandeira que praticamente todos levantam. Mas há acusações de que muitos dos que dizem querer ajudar na verdade se beneficiam da miséria alheia.
Veja a matéria completa clicando aqui.
SÃO PAULO ENTRE RIOS
Entre Rios mostra a história de São Paulo e como a cidade está ligada a seus rios.
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O livro de papel ainda é o mais ambientalmente correto
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Com o lançamento da nova versão do iPad e a consequente formação de filas que vararam a madrugada em diversos países mundo afora, formadas por consumidores ansiosos em adquirir mais uma novidade eletrônica, reacendeu-se a discussão em torno do impresso x eletrônico. Em termos de ecologia, será mesmo que o livro online é mais amigável ao meio ambiente? Os entusiastas da nova tecnologia não estarão, em sua euforia, esquecendo alguns fatores que vale a pena analisar?
Pesquisa encomendada pela Hachette Livre, a maior editora francesa, do grupo Largardere, comparou os livros em papel com os e-readers e constatou que, ambientalmente, considerando a realidade francesa, um e-reader só seria melhor ecologicamente que o livro em papel se o usuário lesse mais de 80 livros por ano. Segundo a pesquisa, que comparou a pegada de carbono de um livro em papel e a de um livro eletrônico, o primeiro é menos prejudicial ao meio ambiente. Pelo menos até agora.
Com o e-book ou livro eletrônico pode-se carregar uma biblioteca inteira em uma pequena unidade de 20 cm com peso inferior a 300g. Parece muito bom, não é? Menos papel, menos árvores derrubadas, menos caixas transportadas por caminhões de entrega poluentes.
Essa ideia é comum, mas falsa: pela pesquisa da Hachette Livre, editor que representa um quarto da produção francesa de livros, o e-book é ecologicamente menos correto do que o livro tradicional.
Se levarmos em conta todos os materiais utilizados na construção dos ebooks (chips, tela, bateria), o transporte dos equipamentos - muitas vezes produzidos na China - a entrega nas lojas, a eletricidade consumida para a sua utilização (carregamento das baterias, os servidores onde os livros são armazenados como arquivos), e de reciclagem no final da vida, exibe um recorde de 240 kg, de acordo com uma estimativa da Carbon 4 a partir de avaliações feitas pela Agência Europeia do Ambiente e Gestão de energia (ADEME) para computadores.
Seriam 80 kg por ano, calculando a vida útil do dispositivo, de três anos. Então, a menos que você leia 80 livros por ano, um nível além do alcance da maioria dos leitores no mundo inteiro, o livro de papel é menos prejudicial ao planeta.
A pesquisa, coordenada pela Carbon 4, concluiu que todas as emissões de gases do efeito estufa emitidos no ciclo de vida dos livros publicados pela Hachette na França foi de 178.000 toneladas de CO2, para 163 milhões de cópias em um ano.
Peso equivalente a pouco menos de um por quilo, em média, com variações dependendo de um livro de bolso (algumas centenas de gramas) ou um bloco grande de várias centenas de páginas (de alguns quilos).
O diretor de comunicação da Hachette e organizador do comitê de direção do grupo de desenvolvimento sustentável, Isso Blunden Ronald, comentou: “ouvimos mais de uma vez que o e-book deteria a destruição das florestas”, diz ele. Embora mais de 40% das emissões provenientes da produção de um livro sejam por conta do papel, 17% vêm de impressão e 8% de transporte de mercadorias entre papelarias e impressoras.
No caso do papel, segundo informações de campanha realizada pela Abigraf (Associação brasileira da indústria gráfica) e mais 19 entidades de classe representativas da cadeia produtiva da comunicação gráfica, todo o papel utilizado para impressão no Brasil vem de florestas cultivadas, isto é, as árvores cortadas são replantadas. Nenhuma árvore nativa é derrubada no país para a produção papeleira!
Claro que as novas gerações de e-books virão mais versáteis. No futuro, será possível ler alguns livros por ano e os jornais diários em seu e-book para ter uma pegada de carbono equivalente a uma leitura no papel.
Mas hoje, com exceção daqueles que vão devorar dezenas de títulos em um mês, o comportamento ambientalmente correto é continuar com os tradicionais livros de papel.
Dieter Brandt - presidente da Heidelberg para a América do Sul.
Com o lançamento da nova versão do iPad e a consequente formação de filas que vararam a madrugada em diversos países mundo afora, formadas por consumidores ansiosos em adquirir mais uma novidade eletrônica, reacendeu-se a discussão em torno do impresso x eletrônico. Em termos de ecologia, será mesmo que o livro online é mais amigável ao meio ambiente? Os entusiastas da nova tecnologia não estarão, em sua euforia, esquecendo alguns fatores que vale a pena analisar?
Pesquisa encomendada pela Hachette Livre, a maior editora francesa, do grupo Largardere, comparou os livros em papel com os e-readers e constatou que, ambientalmente, considerando a realidade francesa, um e-reader só seria melhor ecologicamente que o livro em papel se o usuário lesse mais de 80 livros por ano. Segundo a pesquisa, que comparou a pegada de carbono de um livro em papel e a de um livro eletrônico, o primeiro é menos prejudicial ao meio ambiente. Pelo menos até agora.
Com o e-book ou livro eletrônico pode-se carregar uma biblioteca inteira em uma pequena unidade de 20 cm com peso inferior a 300g. Parece muito bom, não é? Menos papel, menos árvores derrubadas, menos caixas transportadas por caminhões de entrega poluentes.
Essa ideia é comum, mas falsa: pela pesquisa da Hachette Livre, editor que representa um quarto da produção francesa de livros, o e-book é ecologicamente menos correto do que o livro tradicional.
Se levarmos em conta todos os materiais utilizados na construção dos ebooks (chips, tela, bateria), o transporte dos equipamentos - muitas vezes produzidos na China - a entrega nas lojas, a eletricidade consumida para a sua utilização (carregamento das baterias, os servidores onde os livros são armazenados como arquivos), e de reciclagem no final da vida, exibe um recorde de 240 kg, de acordo com uma estimativa da Carbon 4 a partir de avaliações feitas pela Agência Europeia do Ambiente e Gestão de energia (ADEME) para computadores.
Seriam 80 kg por ano, calculando a vida útil do dispositivo, de três anos. Então, a menos que você leia 80 livros por ano, um nível além do alcance da maioria dos leitores no mundo inteiro, o livro de papel é menos prejudicial ao planeta.
A pesquisa, coordenada pela Carbon 4, concluiu que todas as emissões de gases do efeito estufa emitidos no ciclo de vida dos livros publicados pela Hachette na França foi de 178.000 toneladas de CO2, para 163 milhões de cópias em um ano.
Peso equivalente a pouco menos de um por quilo, em média, com variações dependendo de um livro de bolso (algumas centenas de gramas) ou um bloco grande de várias centenas de páginas (de alguns quilos).
O diretor de comunicação da Hachette e organizador do comitê de direção do grupo de desenvolvimento sustentável, Isso Blunden Ronald, comentou: “ouvimos mais de uma vez que o e-book deteria a destruição das florestas”, diz ele. Embora mais de 40% das emissões provenientes da produção de um livro sejam por conta do papel, 17% vêm de impressão e 8% de transporte de mercadorias entre papelarias e impressoras.
No caso do papel, segundo informações de campanha realizada pela Abigraf (Associação brasileira da indústria gráfica) e mais 19 entidades de classe representativas da cadeia produtiva da comunicação gráfica, todo o papel utilizado para impressão no Brasil vem de florestas cultivadas, isto é, as árvores cortadas são replantadas. Nenhuma árvore nativa é derrubada no país para a produção papeleira!
Claro que as novas gerações de e-books virão mais versáteis. No futuro, será possível ler alguns livros por ano e os jornais diários em seu e-book para ter uma pegada de carbono equivalente a uma leitura no papel.
Mas hoje, com exceção daqueles que vão devorar dezenas de títulos em um mês, o comportamento ambientalmente correto é continuar com os tradicionais livros de papel.
Dieter Brandt - presidente da Heidelberg para a América do Sul.
ÓLEO DE FRITURA
O óleo de cozinha depois de usado em frituras, deve ser armazenado em recipiente plástico como garrafa PET e encaminhado a um posto de coleta. Será usado na fabricação de biodiesel, sabão, sabonete etc.
Quando descartado na pia, no vaso sanitário, em terrenos baldios ou no lixo, causa entupimento da tubulação, por vezes sanado com o uso de produtos químicos tóxicos; permanece por bom tempo na superfície dos mares, rios e represas, causando danos à fauna e à flora; impermeabiliza o solo, contribuindo com as enchentes; entra em decomposição gerando metano, gás explosivo quando em contato com o ar.
Quando descartado na pia, no vaso sanitário, em terrenos baldios ou no lixo, causa entupimento da tubulação, por vezes sanado com o uso de produtos químicos tóxicos; permanece por bom tempo na superfície dos mares, rios e represas, causando danos à fauna e à flora; impermeabiliza o solo, contribuindo com as enchentes; entra em decomposição gerando metano, gás explosivo quando em contato com o ar.
ECOTURISMO EM SÃO PAULO
Região de Parelheiros, em São Paulo, abre as portas para o "ecoculturismo"
MARCEL VINCENTI
Colaboração para o UOL Viagem
Quem diria... A Paulicéia não é só desvario. A antítese do caos, e o antídoto para o estresse, existem a menos de 50 mil metros da Praça da Sé. São as Áreas de Proteção Ambiental Capivari-Monos e Bororé-Colônia, localizadas na região de Parelheiros, que começam a ganhar estrutura para receber turistas.

Matéria completa em clicando aqui.
MARCEL VINCENTI
Colaboração para o UOL Viagem
Quem diria... A Paulicéia não é só desvario. A antítese do caos, e o antídoto para o estresse, existem a menos de 50 mil metros da Praça da Sé. São as Áreas de Proteção Ambiental Capivari-Monos e Bororé-Colônia, localizadas na região de Parelheiros, que começam a ganhar estrutura para receber turistas.
Matéria completa em clicando aqui.
Pai do :-) ataca emoticons animados
DIÓGENES MUNIZ
editor de Multimídia da Folha Online
No dia 19 de setembro de 1982, o cientista norte-americano Scott Fahlman, então com 34 anos, acordou tarde. Já passava das 11h da manhã em Pittsburgh, na Pensilvânia, quando ele pulou da cama. Como de costume, a primeira coisa que fez foi se debruçar sobre o computador. Exatamente às 11h44, disparou um e-mail para o fórum on-line do qual fazia parte na Universidade Carnegie Mellon. Nascia ali o primeiro emoticon da rede.
"De vários ângulos, aquela foi uma das coisas mais desinteressantes que já fiz na vida", diz o Fahlman, hoje com 62 anos, em entrevista à Folha Online.
Seu recado foi curto e objetivo. Teve pouco menos de 170 caracteres. Cansado de mal-entendidos surgidos na troca de e-mails entre pesquisadores e estudantes, que misturavam assuntos sérios com recados humorísticos quase nunca interpretados de forma bem-humorada, Fahlman sugeriu: quando estivessem contando piadas, colocariam
. Caso enveredassem para temas importantes, a mensagem viria com um compulsório
.
Seu e-mail é o mais antigo registro do uso de emoticon em uma rede --mais especificamente na Arpanet, embrião da internet. Para muitos, é a própria invenção da carinha, embora o pesquisador admita tentativas mais antigas de se montar uma expressão facial por meio de caracteres, só que no mundo off-line e de outras maneiras.
Alguns meses depois da mensagem seminal, as carinhas de Fahlman tinham se espalhado por outros fóruns. O cientista notou que, conforme seu e-mail circulava pelos EUA e em outros países, novos emoticons iam surgindo. De óculos escuros, boca aberta, com boné e até uma versão do Papai Noel.
Fahlman, um prestigiado estudioso de inteligência artificial, diz nunca ter ganho um centavo com sua Mona Lisa montada à base de símbolos gráficos. Por outro lado, mostra-se orgulhoso da invenção ao rechaçar os emoticons animados. Também relativiza a ideia de que o uso desse tipo de muleta verbal torne as pessoas mais preguiçosas na hora de articular ideias.
Foto Gene J.Puskar/AP

"Tive dias ruins, algumas vezes sem qualquer motivo óbvio, mas, felizmente, me recuperei", diz o "pai" dos emoticons em entrevista
"Nem todos têm a habilidade literária de [William] Shakespeare ou [Mark] Twain, e mesmo os gênios têm seus dias ruins", diz, em sua página na internet. Além disso, "se Shakespeare estivesse fazendo uma breve nota de reclamação sobre a falta de vagas de estacionamento, ele provavelmente ia produzir a mesma prosa desleixada que nós".
*
Folha Online - O sr. já conseguiu algum dinheiro com sua "invenção"?
Scott Fahlman - Eu nunca tirei dinheiro disso e nem acho que seria possível. Se as pessoas precisassem ter uma permissão ou pagar royalties para usar os símbolos
e
, elas simplesmente procurariam outra coisa para usar no lugar. Então, para o bem ou para o mal, esse tem sido o meu pequeno presente para o mundo.
Uma ou duas mesas de palestras entraram em contato comigo, mas estou ocupado demais com as pesquisas para gastar tempo dando palestra por dinheiro. De qualquer forma, não tenho muito a dizer sobre os dez minutos da minha vida em que elaborei o
e coloquei numa mensagem. De vários ângulos, aquela foi uma das coisas mais desinteressantes que já fiz na vida.
Folha Online - Que tipo de trabalho o sr. tinha antes de sugerir o uso de emoticons em um grupo de e-mails?
Fahlman - Eu tinha o mesmo emprego que tenho hoje: sou professor de pesquisa na Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, trabalhando com inteligência artificial --sobretudo em tentar reproduzir o conhecimento do "senso comum" em um computador e fazê-lo entender a linguagem natural. Estamos progredindo, mas é uma equação muito difícil.
Folha Online - O que o sr. pensa sobre os emoticons animados, usados sobretudo em programas de mensagens instantâneas?
Fahlman - Não gosto daqueles círculos amarelos e dos emoticons animados. São feios, meio que estragam toda a diversão. É mais desafiador tentar descobrir maneiras de expressar as emoções humanas usando só o conjunto padrão de caracteres do alfabeto romano. Suponho também que eu prefira esse tipo de emoticon porque desempenhei um papel na sua invenção.
Folha Online - O sr. concorda que essas carinhas tornam as pessoas mais preguiçosas na hora de se expressarem?
Fahlman - Elas economizam esforço se você quiser indicar explicitamente que algo é uma brincadeira. O que é preguiça para alguns é eficiência para outros.
Folha Online - Qual é o seu emoticon favorito?
Fahlman - Eu recebo crédito pelos
e
. Outro que as pessoas usam frequentemente e que eu gostaria de ter inventado é a carinha piscando
. E talvez o emoticon que grita :-O.
Folha Online - O sr. se considera uma pessoa mais
ou
?
Fahlman - Bom, há algumas coisas ruins no mundo, outras boas e há ainda as coisas neutras. Cabe a cada indivíduo focar no
ou no
. Tive dias ruins, algumas vezes sem qualquer motivo óbvio, mas, felizmente, me recuperei rapidamente. Tenho tido muita sorte na vida. Basicamente, sou uma pessoa feliz.
Foto Gene J.Puskar/AP

Cientista Scott Fahlman afirma nunca ter ganho qualquer dinheiro com a invenção dos emoticons para internet
editor de Multimídia da Folha Online
No dia 19 de setembro de 1982, o cientista norte-americano Scott Fahlman, então com 34 anos, acordou tarde. Já passava das 11h da manhã em Pittsburgh, na Pensilvânia, quando ele pulou da cama. Como de costume, a primeira coisa que fez foi se debruçar sobre o computador. Exatamente às 11h44, disparou um e-mail para o fórum on-line do qual fazia parte na Universidade Carnegie Mellon. Nascia ali o primeiro emoticon da rede.
"De vários ângulos, aquela foi uma das coisas mais desinteressantes que já fiz na vida", diz o Fahlman, hoje com 62 anos, em entrevista à Folha Online.
Seu recado foi curto e objetivo. Teve pouco menos de 170 caracteres. Cansado de mal-entendidos surgidos na troca de e-mails entre pesquisadores e estudantes, que misturavam assuntos sérios com recados humorísticos quase nunca interpretados de forma bem-humorada, Fahlman sugeriu: quando estivessem contando piadas, colocariam
Seu e-mail é o mais antigo registro do uso de emoticon em uma rede --mais especificamente na Arpanet, embrião da internet. Para muitos, é a própria invenção da carinha, embora o pesquisador admita tentativas mais antigas de se montar uma expressão facial por meio de caracteres, só que no mundo off-line e de outras maneiras.
Alguns meses depois da mensagem seminal, as carinhas de Fahlman tinham se espalhado por outros fóruns. O cientista notou que, conforme seu e-mail circulava pelos EUA e em outros países, novos emoticons iam surgindo. De óculos escuros, boca aberta, com boné e até uma versão do Papai Noel.
Fahlman, um prestigiado estudioso de inteligência artificial, diz nunca ter ganho um centavo com sua Mona Lisa montada à base de símbolos gráficos. Por outro lado, mostra-se orgulhoso da invenção ao rechaçar os emoticons animados. Também relativiza a ideia de que o uso desse tipo de muleta verbal torne as pessoas mais preguiçosas na hora de articular ideias.
Foto Gene J.Puskar/AP
"Tive dias ruins, algumas vezes sem qualquer motivo óbvio, mas, felizmente, me recuperei", diz o "pai" dos emoticons em entrevista
"Nem todos têm a habilidade literária de [William] Shakespeare ou [Mark] Twain, e mesmo os gênios têm seus dias ruins", diz, em sua página na internet. Além disso, "se Shakespeare estivesse fazendo uma breve nota de reclamação sobre a falta de vagas de estacionamento, ele provavelmente ia produzir a mesma prosa desleixada que nós".
*
Folha Online - O sr. já conseguiu algum dinheiro com sua "invenção"?
Scott Fahlman - Eu nunca tirei dinheiro disso e nem acho que seria possível. Se as pessoas precisassem ter uma permissão ou pagar royalties para usar os símbolos
Uma ou duas mesas de palestras entraram em contato comigo, mas estou ocupado demais com as pesquisas para gastar tempo dando palestra por dinheiro. De qualquer forma, não tenho muito a dizer sobre os dez minutos da minha vida em que elaborei o
Folha Online - Que tipo de trabalho o sr. tinha antes de sugerir o uso de emoticons em um grupo de e-mails?
Fahlman - Eu tinha o mesmo emprego que tenho hoje: sou professor de pesquisa na Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, trabalhando com inteligência artificial --sobretudo em tentar reproduzir o conhecimento do "senso comum" em um computador e fazê-lo entender a linguagem natural. Estamos progredindo, mas é uma equação muito difícil.
Folha Online - O que o sr. pensa sobre os emoticons animados, usados sobretudo em programas de mensagens instantâneas?
Fahlman - Não gosto daqueles círculos amarelos e dos emoticons animados. São feios, meio que estragam toda a diversão. É mais desafiador tentar descobrir maneiras de expressar as emoções humanas usando só o conjunto padrão de caracteres do alfabeto romano. Suponho também que eu prefira esse tipo de emoticon porque desempenhei um papel na sua invenção.
Folha Online - O sr. concorda que essas carinhas tornam as pessoas mais preguiçosas na hora de se expressarem?
Fahlman - Elas economizam esforço se você quiser indicar explicitamente que algo é uma brincadeira. O que é preguiça para alguns é eficiência para outros.
Folha Online - Qual é o seu emoticon favorito?
Fahlman - Eu recebo crédito pelos
Folha Online - O sr. se considera uma pessoa mais
Fahlman - Bom, há algumas coisas ruins no mundo, outras boas e há ainda as coisas neutras. Cabe a cada indivíduo focar no
Foto Gene J.Puskar/AP
Cientista Scott Fahlman afirma nunca ter ganho qualquer dinheiro com a invenção dos emoticons para internet
Colisão de partículas simulando Big Bang chega a recorde
da Folha Online
Cientistas responsáveis pelo maior colisor de partículas do mundo, o LHC, informaram nesta terça-feira (30) que conseguiram obter choques de prótons geradores de uma energia recorde de 7 TeV (tera ou trilhões de eletron volts), a energia máxima almejada pelo laboratório.
Veja toda matéria clicando aqui.
Cientistas responsáveis pelo maior colisor de partículas do mundo, o LHC, informaram nesta terça-feira (30) que conseguiram obter choques de prótons geradores de uma energia recorde de 7 TeV (tera ou trilhões de eletron volts), a energia máxima almejada pelo laboratório.
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CIENTISTAS ARMAZENAM RAIO DE LUZ E O REINICIAM À DISTÂNCIA
(PARIS - AFP)
Uma equipe de físicos da Universidade de Harvard anunciou ter conseguido armazenar um raio de luz em matéria submetida a uma temperatura muito baixa e reiniciá-lo à distância em outro concentrado de matéria. As duas concentrações de matéria estavam separadas por uma brecha de 160 micrômetros, uma distância ínfima para a escala humana, embora seja substancial para a física quântica, que rege o mundo do infinitamente pequeno.
Em um artigo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature, Naomi Ginsberg e seus colegas afirmam ter capturado, usando um laser, átomos resfriados a baixíssimas temperaturas.
Acima do zero absoluto (273 graus Celsius negativos), no contexto dos misteriosos condensados Bose-Einstein, a matéria adquire uma forma que se distingue dos tradicionais estados sólido, líquido e gasoso.
Uma partícula atômica submetida a tais temperaturas se refugia no estado de energia mais baixo possível. As características dos condensados Bose-Einstein são tão particulares que por alguns momentos parecem contrariar a física clássica.
De acordo com a experiência americana, os fótons de laser sofrem uma drástica desaceleração, como se atravessassem algo viscoso, passando da velocidade da luz (300.000 km/seg) a 20 km por hora, para em seguida parar.
"A informação" - a amplidão e a fase do sinal luminoso - ficou impressa como um holograma na matéria do condensado. "Encontramos uma cópia absolutamente perfeita da pulsação da luz, mas em forma de matéria" , explicou uma das encarregadas do estudo, Lene Vestergaard Hau, entrevistada por telefone pela AFP.
Neste ambiente tão particular, a matéria se comporta de forma muito similar à das ondas e os especialistas falam, inclusive, de "ondas de matéria".
A "onda de matéria" carregando as características do sinal luminoso saiu do primeiro condensado para alcançar, algumas frações de milímetro mais longe, o segundo condensado, do qual emerge um raio idêntico ao primeiro.
Em um comentário publicado na mesma edição da Nature, Michael Fleischhauer, cientista da Universidade de Kaiserslautern, destacou que os dois condensados foram preparados de forma independente. Por isto, a experiência só pode ser interpretada se os átomos dos dois condensadores forem considerados objetos absolutamente idênticos do ponto de vista quântico.
A investigação poderá resultar em inovações tecnológicas maiores, como computadores quânticos, nos quais o fóton substituiria o elétron como vetor de informação.
"Para poder tratar dados quânticos, é preciso construir uma rede. Os fótons da luz poderiam servir para transmitir informação quântica e os átomos são ideais para o armazenamento e o tratamento", explicou Fleischhauer.
Uma equipe de físicos da Universidade de Harvard anunciou ter conseguido armazenar um raio de luz em matéria submetida a uma temperatura muito baixa e reiniciá-lo à distância em outro concentrado de matéria. As duas concentrações de matéria estavam separadas por uma brecha de 160 micrômetros, uma distância ínfima para a escala humana, embora seja substancial para a física quântica, que rege o mundo do infinitamente pequeno.
Em um artigo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature, Naomi Ginsberg e seus colegas afirmam ter capturado, usando um laser, átomos resfriados a baixíssimas temperaturas.
Acima do zero absoluto (273 graus Celsius negativos), no contexto dos misteriosos condensados Bose-Einstein, a matéria adquire uma forma que se distingue dos tradicionais estados sólido, líquido e gasoso.
Uma partícula atômica submetida a tais temperaturas se refugia no estado de energia mais baixo possível. As características dos condensados Bose-Einstein são tão particulares que por alguns momentos parecem contrariar a física clássica.
De acordo com a experiência americana, os fótons de laser sofrem uma drástica desaceleração, como se atravessassem algo viscoso, passando da velocidade da luz (300.000 km/seg) a 20 km por hora, para em seguida parar.
"A informação" - a amplidão e a fase do sinal luminoso - ficou impressa como um holograma na matéria do condensado. "Encontramos uma cópia absolutamente perfeita da pulsação da luz, mas em forma de matéria" , explicou uma das encarregadas do estudo, Lene Vestergaard Hau, entrevistada por telefone pela AFP.
Neste ambiente tão particular, a matéria se comporta de forma muito similar à das ondas e os especialistas falam, inclusive, de "ondas de matéria".
A "onda de matéria" carregando as características do sinal luminoso saiu do primeiro condensado para alcançar, algumas frações de milímetro mais longe, o segundo condensado, do qual emerge um raio idêntico ao primeiro.
Em um comentário publicado na mesma edição da Nature, Michael Fleischhauer, cientista da Universidade de Kaiserslautern, destacou que os dois condensados foram preparados de forma independente. Por isto, a experiência só pode ser interpretada se os átomos dos dois condensadores forem considerados objetos absolutamente idênticos do ponto de vista quântico.
A investigação poderá resultar em inovações tecnológicas maiores, como computadores quânticos, nos quais o fóton substituiria o elétron como vetor de informação.
"Para poder tratar dados quânticos, é preciso construir uma rede. Os fótons da luz poderiam servir para transmitir informação quântica e os átomos são ideais para o armazenamento e o tratamento", explicou Fleischhauer.
BRASÍLIA, 50
Blog de Fernando Rodrigues
BRASÍLIA - A capital federal faz 50 anos. Valeu a pena construí-la aqui, no meio do nada? É difícil argumentar a favor.
Na área social, a contribuição de Brasília ao mundo foi o apartheid planejado. Nos anos 60, favelas começavam a sujar a paisagem. Pobres aos milhares foram removidos para o cerrado aberto, a 30 km de distância. Era a Campanha de Erradicação de Invasões. Nasceu Ceilândia. Hoje, tem 600 mil almas.
Os bairros centrais de Brasília são higienizados. A periferia, encardida. É a terra do autoengano. Não há favelas constrangedoras à vista como em São Paulo ou no Rio. Alguns brasilienses festejam "con gusto" a segregação civilizatória (sic).
Outra ideia basilar de Brasília foi mudar o eixo de desenvolvimento do país. Sair do litoral rumo ao centro. Houve avanços. Em 1960, a região Centro-Oeste respondia por 2,5% do PIB do Brasil. Em 2007, pulou para 9,3% -e 40% desse bolo sai da capital da República.
Então, deu certo? Não. Só há dinheiro público aqui. Não se fabrica um parafuso em Brasília. A economia é uma ficção. Baseia-se 93% em serviços anabolizados pelo governo. Os funcionários públicos detêm 40% da massa salarial.
A riqueza de Brasília é estadolatria pura. Em 2009, seu orçamento foi de R$ 18,7 bilhões. Desse total, R$ 7 bilhões (37%) saíram do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Ou seja, cada um dos 192,8 milhões de brasileiros desembolsa R$ 36 por ano para sustentar os escândalos candangos de dinheiro escondido em meias e cuecas.
Políticos encrencados há por toda parte, sem dúvida. Mas a capital da República ostenta o recorde de ser a única unidade da Federação a ter eleito três senadores apeados do cargo acusados de atos ilícitos.
Passados 50 anos, Brasília é uma profecia não cumprida. Vive em simbiose parasitária com o governo. Ao nascer, era um erro histórico. Agora, tornou-se um equívoco irreparável por opção. Triste.
BRASÍLIA - A capital federal faz 50 anos. Valeu a pena construí-la aqui, no meio do nada? É difícil argumentar a favor.
Na área social, a contribuição de Brasília ao mundo foi o apartheid planejado. Nos anos 60, favelas começavam a sujar a paisagem. Pobres aos milhares foram removidos para o cerrado aberto, a 30 km de distância. Era a Campanha de Erradicação de Invasões. Nasceu Ceilândia. Hoje, tem 600 mil almas.
Os bairros centrais de Brasília são higienizados. A periferia, encardida. É a terra do autoengano. Não há favelas constrangedoras à vista como em São Paulo ou no Rio. Alguns brasilienses festejam "con gusto" a segregação civilizatória (sic).
Outra ideia basilar de Brasília foi mudar o eixo de desenvolvimento do país. Sair do litoral rumo ao centro. Houve avanços. Em 1960, a região Centro-Oeste respondia por 2,5% do PIB do Brasil. Em 2007, pulou para 9,3% -e 40% desse bolo sai da capital da República.
Então, deu certo? Não. Só há dinheiro público aqui. Não se fabrica um parafuso em Brasília. A economia é uma ficção. Baseia-se 93% em serviços anabolizados pelo governo. Os funcionários públicos detêm 40% da massa salarial.
A riqueza de Brasília é estadolatria pura. Em 2009, seu orçamento foi de R$ 18,7 bilhões. Desse total, R$ 7 bilhões (37%) saíram do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Ou seja, cada um dos 192,8 milhões de brasileiros desembolsa R$ 36 por ano para sustentar os escândalos candangos de dinheiro escondido em meias e cuecas.
Políticos encrencados há por toda parte, sem dúvida. Mas a capital da República ostenta o recorde de ser a única unidade da Federação a ter eleito três senadores apeados do cargo acusados de atos ilícitos.
Passados 50 anos, Brasília é uma profecia não cumprida. Vive em simbiose parasitária com o governo. Ao nascer, era um erro histórico. Agora, tornou-se um equívoco irreparável por opção. Triste.
Vai comprar uma nova TV ?
Todo ano de Copa do Mundo há uma explosão na venda de televisores. Mas nunca foi tão difícil escolher um aparelho novo, em meio a tantas tecnologias e opções. Plasma, LCD, LED e a novíssima 3D são as alternativas, que não excluem uma boa e velha televisão de tubo, em alguns casos (se o sinal não for em alta definição, por exemplo).
A onda agora é a busca pela alta definição. Com efeito, quem se acostuma às imagens HD (sigla inglesa para "high definition") tem grande dificuldade para voltar ao esquema antigo. Até mesmo assistir a DVDs passa a ser um castigo para os olhos.
Acesse aqui para ler toda a matéria.
A onda agora é a busca pela alta definição. Com efeito, quem se acostuma às imagens HD (sigla inglesa para "high definition") tem grande dificuldade para voltar ao esquema antigo. Até mesmo assistir a DVDs passa a ser um castigo para os olhos.
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O que é o urânio enriquecido?
Só de ler esse nome a gente já pensa em bombas nucleares, né? Mas a principal utilidade do urânio enriquecido é gerar energia elétrica. Ele recebe o adjetivo porque o urânio encontrado na natureza é bastante "pobre": 99,27% do metal é formado por urânio-238, que não serve para as usinas nucleares. Energeticamente falando, o que interessa mesmo é o urânio-235 (U-235), que compõe menos que 1% da massa total do urânio extraído nas minas. O produto enriquecido nada mais é que o metal bruto com uma porcentagem de U-235 aumentada artificialmente. Quando essa quantidade chega a 2% ou 3%, o produto já é capaz de gerar energia nas usinas.
Leia toda matéria clicando aqui.
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Reserva Raposa-Serra do Sol, após um ano: o arrependimento
Blog do ambientalismo

Este post, publicado no site Alerta em rede, em 30/04/2010 (sob o título «Raposa: um ano depois, o Sol se pôs»), de autoria de Geraldo Luís Lino, apresenta o quadro de caos instalado na reserva indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, a qual provocou uma grande polêmica quando da sua demarcação e implantação. Eliminada a civilização daquela região, os índios, praticamente, entregues à própria sorte – e à boa e dadivosa “Mãe Natureza”… (pois não era isso o que eles queriam?) – estão passando grandes necessidades, pois as fazendas produtivas da área, desativadas, deixaram centenas e centenas de “nativos” desempregados. E agora? Cadê os indigenistas e suas ONGs? Por que eles não socorrem os índios? Acrescentei subtítulos ao texto para facilitar a leitura do mesmo.(HUSC)
Leia a matéria completa em clicando aqui.
Este post, publicado no site Alerta em rede, em 30/04/2010 (sob o título «Raposa: um ano depois, o Sol se pôs»), de autoria de Geraldo Luís Lino, apresenta o quadro de caos instalado na reserva indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, a qual provocou uma grande polêmica quando da sua demarcação e implantação. Eliminada a civilização daquela região, os índios, praticamente, entregues à própria sorte – e à boa e dadivosa “Mãe Natureza”… (pois não era isso o que eles queriam?) – estão passando grandes necessidades, pois as fazendas produtivas da área, desativadas, deixaram centenas e centenas de “nativos” desempregados. E agora? Cadê os indigenistas e suas ONGs? Por que eles não socorrem os índios? Acrescentei subtítulos ao texto para facilitar a leitura do mesmo.(HUSC)
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Hidrelétricas não são fonte de energia limpa
Revista Geografia

As barragens de rios para os mais diversos fins fazem parte da história da humanidade. Evitar e/ou controlar enchentes e secas, facilitando a agricultura, é apenas um exemplo. As barragens de rios para construção de hidrelétricas são um fato recente na história da humanidade, as primeiras são do século XIX, nos EUA; no Brasil, as primeiras também são desse período. No início do século XX houve um aumento de barragens de rios para fins de produção de energia, mas foi após a Segunda Grande Guerra que houve um incremento das hidrelétricas como elemento do processo de industrialização das economias, que se apropriam dos rios, suas cachoeiras e corredeiras para gerar energia.
A energia elétrica faz parte do cotidiano de muitas pessoas, seja porque traz algum conforto como luz elétrica, uma necessidade em hospitais, universidades, entre outros; lucro para o setor elétrico, geração de empregos, ou danos para os expropriados e atingidos por barragens, sejam índios, camponeses e mesmo cidades que são abandonadas para a formação do reservatório.
Leia mais em clicando aqui.
As barragens de rios para os mais diversos fins fazem parte da história da humanidade. Evitar e/ou controlar enchentes e secas, facilitando a agricultura, é apenas um exemplo. As barragens de rios para construção de hidrelétricas são um fato recente na história da humanidade, as primeiras são do século XIX, nos EUA; no Brasil, as primeiras também são desse período. No início do século XX houve um aumento de barragens de rios para fins de produção de energia, mas foi após a Segunda Grande Guerra que houve um incremento das hidrelétricas como elemento do processo de industrialização das economias, que se apropriam dos rios, suas cachoeiras e corredeiras para gerar energia.
A energia elétrica faz parte do cotidiano de muitas pessoas, seja porque traz algum conforto como luz elétrica, uma necessidade em hospitais, universidades, entre outros; lucro para o setor elétrico, geração de empregos, ou danos para os expropriados e atingidos por barragens, sejam índios, camponeses e mesmo cidades que são abandonadas para a formação do reservatório.
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ENTRA "ECO-CRADLE", SAI ISOPOR.
Jovens criam material biodegradável para substituir isopor
Da Efe
O poliestireno, mais conhecido em sua forma expandida como o popular isopor, conta agora com a concorrência de um novo material biodegradável inventado por dois jovens em Nova York.
Composto por raízes de fungos e resíduos agrícolas, este novo material pode ser moldado em qualquer forma, tem baixo custo de produção e pode ser reutilizado ou aplicado como fertilizante, disse à Agência Efe Eben Bayer, um dos dois inventores do "EcoCradle".
O poliestireno é um material não reciclável ou degradável, derivado do petróleo e cujos principais consumidores são China e Europa. Sua produção mundial chega a 35 milhões de toneladas anuais. Mais de 70% dessa carga é usada na construção civil.
Os maiores participantes globais do mercado do poliestireno são Dow Chemical, Totalfina Elf, BASF, Nova Innovene, Chevron Philips, PS Japan, Ineos Styrenics e Polimeri Europa.
O desafio a esta indústria multimilionária vem da ideia de Bayer e Gavin McIntyre, ambos graduados pelo instituto politécnico Rensselaer, em Nova York. A dupla já tem 100 mil unidades do "EcoCradle" encomendadas para 2010.
"Empregamos produtos derivados ou desprezados da agricultura que sequer servem para a alimentação dos animais", disse Bayer à Efe em uma conversa por telefone.
Segundo ele, "o que produzimos é um material alternativo ao poliestireno, que tem o mesmo desempenho físico, mas é degradável no meio ambiente, ou pode ser reciclado".
O composto é feito com pequenas raízes de fungos chamados micélio e resíduos agrícolas como a casca de arroz, trigo ou sementes do algodão.
Bayer cresceu em uma fazenda do estado americano de Vermont onde ele e seu pai colhiam fungos silvestres. Durante sua adolescência, passou a reparar que as raízes dos fungos aglomeram pedaços de folhas e madeira, e se perguntou se isso poderia ter alguma aplicação útil.
McIntyre achou a ideia interessante e os dois começaram a testa diferentes tipos de fungos até determinar quais possuem as raízes mais fortes.
Depois, testaram essas raízes com diferentes produtos residuais. Em poucos dias, descobriram que as pequenas raízes dos fungos se transformavam em uma massa densa de fibras que dão ao composto um sustento estrutural.
Bayer e McIntyre abriram sua empresa, a Ecovative, com pouco mais do que uma boa ideia. Agora, já patentearam o produto em 30 países e receberam apoio da Agência de Proteção Ambiental, do Departamento de Agricultura e da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
Além disso, receberam no ano passado 500 mil euros por terem vencido o "Desafio Verde" da loteria holandesa Postcode, um prêmio que estimula o desenvolvimento de produtos que diminuam as emissões de gás carbônico (CO2).
Da Efe
O poliestireno, mais conhecido em sua forma expandida como o popular isopor, conta agora com a concorrência de um novo material biodegradável inventado por dois jovens em Nova York.
Composto por raízes de fungos e resíduos agrícolas, este novo material pode ser moldado em qualquer forma, tem baixo custo de produção e pode ser reutilizado ou aplicado como fertilizante, disse à Agência Efe Eben Bayer, um dos dois inventores do "EcoCradle".
O poliestireno é um material não reciclável ou degradável, derivado do petróleo e cujos principais consumidores são China e Europa. Sua produção mundial chega a 35 milhões de toneladas anuais. Mais de 70% dessa carga é usada na construção civil.
Os maiores participantes globais do mercado do poliestireno são Dow Chemical, Totalfina Elf, BASF, Nova Innovene, Chevron Philips, PS Japan, Ineos Styrenics e Polimeri Europa.
O desafio a esta indústria multimilionária vem da ideia de Bayer e Gavin McIntyre, ambos graduados pelo instituto politécnico Rensselaer, em Nova York. A dupla já tem 100 mil unidades do "EcoCradle" encomendadas para 2010.
"Empregamos produtos derivados ou desprezados da agricultura que sequer servem para a alimentação dos animais", disse Bayer à Efe em uma conversa por telefone.
Segundo ele, "o que produzimos é um material alternativo ao poliestireno, que tem o mesmo desempenho físico, mas é degradável no meio ambiente, ou pode ser reciclado".
O composto é feito com pequenas raízes de fungos chamados micélio e resíduos agrícolas como a casca de arroz, trigo ou sementes do algodão.
Bayer cresceu em uma fazenda do estado americano de Vermont onde ele e seu pai colhiam fungos silvestres. Durante sua adolescência, passou a reparar que as raízes dos fungos aglomeram pedaços de folhas e madeira, e se perguntou se isso poderia ter alguma aplicação útil.
McIntyre achou a ideia interessante e os dois começaram a testa diferentes tipos de fungos até determinar quais possuem as raízes mais fortes.
Depois, testaram essas raízes com diferentes produtos residuais. Em poucos dias, descobriram que as pequenas raízes dos fungos se transformavam em uma massa densa de fibras que dão ao composto um sustento estrutural.
Bayer e McIntyre abriram sua empresa, a Ecovative, com pouco mais do que uma boa ideia. Agora, já patentearam o produto em 30 países e receberam apoio da Agência de Proteção Ambiental, do Departamento de Agricultura e da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
Além disso, receberam no ano passado 500 mil euros por terem vencido o "Desafio Verde" da loteria holandesa Postcode, um prêmio que estimula o desenvolvimento de produtos que diminuam as emissões de gás carbônico (CO2).
SAIBA O QUE FAZER COM O LIXO
Saiba o que fazer com o lixo doméstico
O Brasil produz, atualmente, cerca de 228,4 mil toneladas de lixo por dia, segundo a última pesquisa de saneamento básico consolidada pelo IBGE, em 2000. O chamado lixo domiciliar equivale a pouco mais da metade desse volume, ou 125 mil toneladas diárias.
Do total de resíduos descartados em residências e indústrias, apenas 4.300 toneladas, ou aproximadamente 2% do total, são destinadas à coleta seletiva. Quase 50 mil toneladas de resíduos são despejados todos os dias em lixões a céu aberto, o que representa um risco à saúde e ao ambiente.
Mudar esse cenário envolve a redução de padrões sociais de consumo, a reutilização dos materiais e a reciclagem, conforme a "Regra dos Três Erres" preconizada pelos ambientalistas.
A idéia é diminuir o volume de lixo de difícil decomposição, como vidro e plástico, evitar a poluição do ar e da água, otimizar recursos e aumentar a vida útil dos aterros.
Caso não haja coleta seletiva em seu bairro ou condomínio, procure as cooperativas de catadores e os Postos de Entrega Voluntária (PEVs).
O Grupo Pão de Açúcar também possui pontos de coleta nos supermercados em todo o país. A iniciativa está sendo ampliada para outras bandeiras do grupo, como a rede Extra.
COLETA SELETIVA: VEJA ABAIXO QUAIS RESÍDUOS PODEM SER RECICLADOS
Fonte: Uol
"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul
Por Carlos Madeiro
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.
Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O meteorologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.
UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.
UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.
UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.
UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.
UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.
UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.
UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.
UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.
UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.
Especial para o UOL Ciência e Saúde
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.
Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O meteorologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.
UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.
UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.
UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.
UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.
UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.
UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.
UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.
UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.
UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.
FRIO RIGOROSO NA ÁSIA CONTRARIA TESE DO IPCC*
AFP/Reprodução Nasa Earth Observatory
Imagens de satélite divulgadas pelo observatório terrestre da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, mostra a neve que atinge boa parte do continente asiático. O recorte mostra a península coreana e no leste da China cobertos pela neve. No nordeste da China, região mais fria do país, os meteorologistas esperavam que as baixas temperaturas chegassem a 17°C negativos. Porém, as temperaturas na região chegaram a menos 32°C.
* O IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática é o organismo internacional que sustenta a tese do CO2 como vilão do aquecimento global.
Acesse aqui para saber mais.
Imagens de satélite divulgadas pelo observatório terrestre da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, mostra a neve que atinge boa parte do continente asiático. O recorte mostra a península coreana e no leste da China cobertos pela neve. No nordeste da China, região mais fria do país, os meteorologistas esperavam que as baixas temperaturas chegassem a 17°C negativos. Porém, as temperaturas na região chegaram a menos 32°C.
* O IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática é o organismo internacional que sustenta a tese do CO2 como vilão do aquecimento global.
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